

Ela engoliu o choro, limpou as lágrimas, forçou o sorriso, levantou a cabeça e prosseguiu. O seu coração já estava cansado de bater. Ela estava vivendo a pior morte que se pode experimentar. Aquela que você primeiro morre por dentro. Aquela em que você esconde toda a sua dor com um doce sorriso. E ninguém percebe. Nem mesmo aqueles que estão sempre por perto. Fingir já se tornou uma das suas maiores artimanhas. Fingir aquele sorriso, fingir que está tudo bem […] Ah, isso já virou rotina. Agente aprende a viver desse jeito, na marra mesmo. A vida te ensina a ser forte. Ela te derruba no chão, te deixa com a cara no pó. A vida permite que as pessoas passem por cima de você, por cima dos seus pedaços. E de uma maneira tão sutil você consegue guardar toda aquela dor bem lá no fundo da alma e por um instante ser feliz. Ela consegue enganar a todos, ela faz isso muito bem. Mas o pior de tudo, é que isso já se tornou algo tão banal, algo que já fugiu do seu controle, que hoje ela vive presa a essa realidade, enganando a si mesma. Mas a verdade vem a tona, toda vez que ela está trancada no seu quarto. Todas as vezes em que o silêncio domina os cômodos da casa e ela se sente vazia. Ela está vazia. Engano meu, na verdade, ela é vazia. Ela está caminhando sobre os seus próprios pedaços, provando do gosto amargo das suas próprias lágrimas. E quando ela está longe de tudo, ela tem que encarar o medo, ela tem que encarar face a face a pessoa que ela se tornou. Fria. É isso que ela é. Insensível. É assim que ela está. É assim que um dia todos foram com ela. É isso que ela aprendeu a ser. Ela simplesmente não consegue se libertar disso, é mais difícil do que todos pensam, é o que ela se tornou, é o que ela é, é parte dela. Ela tem medo do silêncio, ela tem medo dos pensamentos que vêm a tona quando ela está sozinha. Ela tem medo de quem ela é. E mesmo assim, ela convive, ela vive, ela sobrevive. E ao sair do quarto escuro e vazio, a maquiagem esconde a intensidade das lágrimas e o sorriso reserva somente para ela toda a amargura que está alí. E mesmo assim, tão frágil, tão cansada de tudo, ela é forte o suficiente para acordar todos os dias. Ela permanece forte. Apesar de tudo, ela é forte, ela é mais forte do que imagina. Ela conseguiu juntar as pérolas da vida. Ela conhece todas as manhas da vida. E agora ela está preparada para as próximas quedas. Porque afinal, agente vai vivendo e vai aprendendo. Agente descobre quem realmente merece nossas lágrimas. Agente aprende a cultivar apenas quem nos faz bem. Aprendemos a levar conosco as melhores lembranças e apagar o passado. Manter o alvo no futuro. Gerar expectativas. E assim ela segue […] a cada lágrima, um sorriso. A cada erro, uma pérola. Assim ela se mantêm, forte. Doendo por dentro, sem desistir, sorrindo, rindo, fingindo.
Aline. Ilusionista